Eu estou de luto. Mas não por alguém, e sim pela minha profissão (engenheiro de software).

Ela morreu. Não morreu completamente, mas morreu em grande parte. Morreu o que era. Morreu pra quem gostava de escrever código. Morreu pra quem conseguia se expressar ou resolver problemas usando “letrinhas e números aleatórios”, como diria minha esposa.

A gente passou as últimas décadas migrando do mundo físico para o mundo virtual. Lazer, trabalho, relações pessoais… tudo.

E de repente, inventamos uma máquina que é capaz não só de aprender tudo o que fizemos, mas de replicar isso tudo. De nos tornar substituíveis por ela. Navegar na internet? Mandar mensagem instantânea? Escrever histórias? Criar imagens? Ler textos? Ler livros? Criar planilhas? Não importa, tudo o que existe no mundo virtual pode ser feito por uma IA. E a gente pede pra ela fazer!

Isso pra mim é um sintoma de uma sociedade extremamente cansada. Foi só aparecer uma solução para “performar” trabalho, que nós abraçamos completamente. Sem pensar duas vezes.

A IA, como ferramenta, é excelente, principalmente se você a usa como suporte na área em que você já domina ou em que já trabalha.

Mas se ela faz tudo, o que sobra para nós? Ser a babá dela? Até quando?

“Ah, mas vão surgir outros tipos de trabalho, assim como no passado aconteceu também!”. Nós nunca passamos por isso. O trabalho “novo” também poderá ser aprendido e desempenhado pela IA. Se for no mundo virtual, a IA pode fazê-lo. Mais rápido e mais barato.

E aí, qual é o plano? Renda básica universal? Como? Se a maioria não vai ter trabalho e, consequentemente, renda? Como o governo vai distribuir algo que ele não gera? Sem renda, sem consumo, sem impostos, sem arrecadação.

Peraí, eu comecei o texto pensando só na morte da minha profissão, e agora tô matando o mundo inteiro. Então o luto que estou sentindo é pela morte da sociedade que conhecemos?

Eu termino este texto, totalmente escrito por mim, sem ajuda da IA, porque ela já está me substituindo no trabalho e me substituir aqui, na hora em que estou expondo meus sentimentos, seria demais, né?

E você, que chegou aqui sem resumo de IA, sem bot… apenas lendo um texto num blog como faziam os maias e os astecas, o que está sentindo?